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Pano para Mangas

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Sinopse

Foram quase sete anos de uma vida quotidiana, 1531 crónicas ditadas pela consciência e pela sensibilidade, nunca por uma qualquer agenda encomendada. Foi um período em que, se não nos limitarmos a contas de merceeiro, andámos de mal a pior. Por falta de homens bons, acompanhando uma escassez em que a Europa fica na cauda do mundo. Por ausência de ideias, excepto aquelas que foram apressadamente fixadas mas nunca se revelaram fixes nem sequer firmes. Pela vitória do pragmatismo sobre os valores. Pela emergência dos tecnocratas e pela aceitação dos curtos horizontes dos gabinetes. Pelo excesso de palavras vãs e vazias, pela extinção da simples palavra de honra. Pela falta de participação cívica, política, ruidosa e teimosa – foram demasiadas as ocasiões em que perdemos por falta de comparência. Foi um percurso que me valeu passar da observação à indignação, de espectador a militante, de cínico a voluntário, de indiferente a empenhado. Tentei, sempre, praticar o equilíbrio. Nunca me passou pela cabeça o esboçar da equidistância – não a creio útil a ninguém. As cem crónicas que aí ficam têm um princípio e um fim, mais do que uma lógica e um percurso lineares. São apenas os meus sinais exteriores, diletantes ou supérfluos, irónicos ou inflamados. São um espelho razoável de alguém que se aflige mas continua obstinadamente a rir e a sonhar com algo de melhor, sobretudo para os mais velhos e para os mais novos, já que a geração em que nasceu tem cada vez menos desculpa.

Detalhes

ISBN 978 972 780 434 4
Editora Âncora Editora
Edição 1.ª
Páginas 231
Formato 15x23
Peso 359 g
EAN/Código 9027
Coleção
Tags

Descrição

Foram quase sete anos de uma vida quotidiana, 1531 crónicas ditadas pela consciência e pela sensibilidade, nunca por uma qualquer agenda encomendada. Foi um período em que, se não nos limitarmos a contas de merceeiro, andámos de mal a pior. Por falta de homens bons, acompanhando uma escassez em que a Europa fica na cauda do mundo. Por ausência de ideias, excepto aquelas que foram apressadamente fixadas mas nunca se revelaram fixes nem sequer firmes. Pela vitória do pragmatismo sobre os valores. Pela emergência dos tecnocratas e pela aceitação dos curtos horizontes dos gabinetes. Pelo excesso de palavras vãs e vazias, pela extinção da simples palavra de honra. Pela falta de participação cívica, política, ruidosa e teimosa – foram demasiadas as ocasiões em que perdemos por falta de comparência. Foi um percurso que me valeu passar da observação à indignação, de espectador a militante, de cínico a voluntário, de indiferente a empenhado. Tentei, sempre, praticar o equilíbrio. Nunca me passou pela cabeça o esboçar da equidistância – não a creio útil a ninguém. As cem crónicas que aí ficam têm um princípio e um fim, mais do que uma lógica e um percurso lineares. São apenas os meus sinais exteriores, diletantes ou supérfluos, irónicos ou inflamados. São um espelho razoável de alguém que se aflige mas continua obstinadamente a rir e a sonhar com algo de melhor, sobretudo para os mais velhos e para os mais novos, já que a geração em que nasceu tem cada vez menos desculpa.

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