Descrição
«No mundo de hoje, em que o extremismo, a maldade, a distopia, a arrogância e a falta de cuidado estão a assumir um papel determinante na governação mundial, não podemos combater com as armas do radicalismo no discurso e na ação. As agendas identitárias não podem o ser alfa e o ômega do debate, a cultura do cancelamento não pode subir aos níveis da discussão partidária que até chega a “matar” os que sempre militaram nos partidos moderados. A atenção aos mais necessitados e, principalmente, a resposta aos que não querem ser “coitadinhos” deve voltar a ser
o grande objetivo político. A classe média, que não quer ser dependente do Estado, tem de voltar a ter nos socialistas e sociais democratas o seu espaço de representação eleitoral.»
«Há muito que Soares havia deixado o comunismo; há muito que se revia nos partidos trabalhistas, sociais democratas e, talvez menos, nos partidos socialistas do sul da Europa. O caminho era claro – democracia, liberdade, justiça social. Nunca abandonaria a trilogia.
O PS não tinha, na fundação nem depois, uma forte inserção no proletariado. Isso fez com que fosse quase sempre um partido da burguesia, um partido com fortes preocupações sociais, mas sem a intervenção excessiva do Estado.»
«O PS chegou a ter o marxismo no seu programa? Claro que sim! E simpatizava com as nacionalizações e com a reforma agrária que foi feita? De todos os documentos que hoje se conhecem e com a prática dos Governos de 1976/77 e de 1983/1985, não podemos retirar uma concordância. Mas o programa era social democrata. O tal socialismo em liberdade, democrático
ou moderno, como a cada tempo se foi consagrando. Nada coletivista, pouco estatista, muito solidário e redistributivo.”

