O Museo Massó, em Bueu, Galiza, acolheu, na passada sexta-feira, mais de uma centena de pessoas para a apresentação do livro “Ecos do Grande Norte – Recordações da Pesca do Bacalhau”

Realizou-se no passado dia 10 de Julho, no âmbito das comemorações do 13.º aniversário do Museo Massó, a apresentação da obra do Capitão Valdemar Aveiro.

A sessão iniciou com a projecção do documentário "Nos mares da memória - "estórias" de uma faina maior",  com guião do investigador Senos da Fonseca e realizado por Rui Bela, que durou cerca de 10 minutos.

Seguiu-se a apresentação do livro por José Manuel Muñiz Ríos, presidente da AETINAPE (Asociación Española de Titulados Naútico Pesqueros), e María José Rodríguez.

 

José Manuel Muñiz Ríos diz-nos que:

«Resulta para min unha grandísima honra participar na presentácion deste libro sobre a pesca do bacallau, da que é autor o que sen dúbida é e será unha das grandes personalidades que protagonizan a nosa historia marítima a este nível de investigación e divulgación, o Capitán Valdemar Aveiro.

Este libro é unha magnífica crónica do que fóron aqueles anos, entre os 50 e os 70 do pasado século, nos que moitos de vós andavades ao bacallau naqueles fríos confíns do mundo.

(…)

E xa que falamos de xeografía, temos que referirnos tamén à cidade de Ilhavo, moi perto de Aveiro, que ademáis de ter o faro máis alto de Portugal, ten un fermoso Museo Marítimo, ao que lhes recomendo acudir. Desa cidade, de Ílhavo, procede precisamente o nosso protagonista de hoxe, o Capitán Valdemar. Pero non só él, senón a maioria dos titulados e mariñeiros portugueses enrolados nestas flotas por aqueles anos. A identidade mariñeira de Ílhavo está íntimamente unida á pesca do bacallau.

Outra persoa que nos acompaña, peza fundamental desta iniciativa, é o editor da obra, o Doutor Baptista Lopes, a persoa que apoiou esta publicación, o cuarto dos libros que Valdemar escreveu para Âncora, que ese é o nome da editorial com sede em Lisboa.

Como xente do mar á que nos comprace moito estes exercizos tan saudables coa nosa  memoria historica, queremos agradecer ao Doutor Baptista Lopes esta focalización do interése da súa editorial nas xentes do mar, que son os que estan baixo as noticias dos medios de comunicación, os que fan os maiores esforzos, os que sacrifican as suas vidas entregándoas ás empresas e aos longos períodos de pesca, e tamén os que quedan no camiño cando se producen esas terribles noticias que tantos e tantos mortos deixaron nos leitos mariños de todos os tempos. (…)»

E referindo-se, novamente, ao capitão Valdemar Aveiro:

«(…) este home admirable que tanto contribúe, cos seus libros, a manter viva a historia marítima dos nosso pobos, dos pobos ibéricos, fundamentalmente bascos, galegos e portugueses que teñen en común esta historia da pesca do bacallau. (…)»

 

Na opinião de María José Rodríguez:

«(…) Ecos do Grande Norte, um dos quatro livros publicados pela Âncora Editora, de Lisboa, é um olhar sobre o passado, uma onda de nostalgia. Um livro para amantes da pesca e para os que têm curiosidade em conhecer os comportamentos deste tipo de homens fora do comum que em 800 metros quadrados convivem durante meses, 65 temperamentos e espíritos muito diferentes.

(…)

Em Ecos do Grande Norte o leitor vai encontrar diferentes histórias, contadas com extrema sensibilidade, e que confesso me impressionaram pessoalmente. Valdemar Aveiro, o seu autor, é capaz de caracterizar com mestria os perfis psicológicos de cada um dos seus homens, a parte obscura, as suas debilidades, as suas forças, as suas paixões mais intimas.

Ecos do Grande Norte é um tributo à memória e à pesca do bacalhau que o autor quer oferecer a todos os homens que dedicaram a sua vida a este tipo de pesca, e que com os seus oitenta anos de vida gosta e desfruta em trazer as suas recordações, e revivê-las, já que é o que o faz mais feliz ao olhar para o passado. (…)»

 

No final da apresentação foram servidos alguns petiscos, onde não poderiam faltar os pastéis de bacalhau e as línguas de bacalhau fritas, acompanhados com o excelente vinho da marca portuguesa Quinta dos Currais.

 

Sobre o documentário:

"Nos mares da memória - "estórias" de uma faina maior",  é um documentário em vídeo que retrata documentalmente a odisseia dos Portugueses por mares nunca dantes navegados e a história da pesca do bacalhau. Com mais de cinco séculos de presença em terras da Gronelândia e da Terra Nova, os Portugueses foram o primeiro povo a estabelecer naquelas paragens uma colónia de pesca no século XV. Centenas de fotografias, gravuras e películas de cinema inéditas foram recuperadas para ilustrar a realização deste documentário, não esquecendo o testemunho de alguns protagonistas que participaram na odisseia. Com guião do investigador Senos da Fonseca e realizado por Rui Bela, este documentário, constitui um documento importante para melhor percebermos a importância do mar desde sempre na economia nacional."

 

Sobre o Museo Massó:

É um museu de propriedade e gestão autónoma, criado mediante o Decreto 238/2002 de 4 de Julho, ficando adscrito à Consellería de Cultura e Turismo, com dependência orgânica da Dirección Xeral de Patrimonio Cultural.

No entanto, a origem e formação das colecções é muito anterior, retrocedendo a princípios do século XX, época em que dois membros dos Massó, nomeadamente, José Maria e Gaspar, iniciam o seu trabalho de coleccionadores.

Esta família catalã instala-se em Bueu no início do século XIX para estabelecer negócios ligados à pesca, salgaduras, numa primeira fase, e, posteriormente, uma fábrica conserveira.

Em 1928 Guillermo Marconi (Nobel da Física em 1909) visita Bueu e, ficando impressionado com a colecção dos Massó, sugere a criação de um museu que, finalmente, nasce a 26 de Novembro de 1932. Marconi seria o primeiro signatário no livro de honra.

Como consequência da crise que atravessa, na década de noventa do século passado, a conserveira Massó encerra definitivamente, deixando o antigo museu numa situação de incerteza, sem um futuro concreto.

Situação que ficou resolvida em 1993, quando a Xunta de Galícia propõe a compra de toda a colecção e uma parte da antiga fábrica (mesmo ao lado do antigo museu). Após uma rápida e urgente reabilitação do edifício, é inaugurado e oficialmente aberto, em 10 de Julho de 2002, o novo museu, convertendo-se, assim, numa instituição pública.

 

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